1. Introdução
Existem inúmeros incentivos financeiros — diretos e fiscais — para impulsionar a competitividade, inovação, sustentabilidade, internacionalização e emprego das empresas. Estes instrumentos são geridos por diversas entidades (IAPMEI, AICEP, ANI), estando enquadrados no programa Portugal 2030 e em outras iniciativas nacionais complementares.
Partilhamos alguns dos incentivos disponíveis e quem pode aceder a eles.
2. Sistemas de Incentivos (“SI”) – Portugal 2030 (SICE)
Geridos pelo IAPMEI, estes sistemas apoiam PME (e algumas não‑PME) em áreas problemáticas que vão desde I&D até internacionalização:
a) SI I&DT – Investigação & Desenvolvimento Tecnológico
- Apoio não reembolsável, entre 25 % e 75 % do custo do projeto.
- Elegível para projetos individuais ou em co‑promoção, incluindo demonstradores, núcleos de I&D ou internacionalização da I&D.
- Custos contemplados: pessoal qualificado, registo de patentes, divulgação e outras despesas tecnológicas ayming.pt.
b) SI Inovação Produtiva
- Natureza mista: parte não reembolsável e parte reembolsável, até 75 % do investimento.
- Destinado a novos estabelecimentos, aumento de capacidade, produção de novos bens ou serviços e novos processos produtivos.
- Abrange CAPEX tangível e intangível, serviços de engenharia, marketing, diagnósticos etc..
- Limite de 15 milhões de euros para PME; para não‑PME, têm de exceder esse montante.
c) SI Internacionalização (PME)
- Apoio não reembolsável até 45 %.
- Focado na expansão internacional: marketing, presença em feiras no estrangeiro, consultoria externa, aquisição de novos métodos organizacionais.
d) SI Qualificação (PME)
- Incentivo até 45 %, não reembolsável.
- Apoia inovação organizacional, digitalização, TIC, criação de marcas e designs, aquisição de software, patentes, contratação de técnicos, estudos.
Complementos adicionais no âmbito do Portugal 2030 e SICE (2025):
- SICE – Inovação Produtiva: até 50 % a fundo perdido para modernização industrial, digitalização, novos produtos/processos.
- SICE – Internacionalização das PME: até 50 % para prospeção de mercados, eventos internacionais, marketing digital e certificações.
- SICE – Qualificação das PME: até 50 % para formação, transformação digital, cibersegurança, automação, certificação.
- Descarbonização e Eficiência Energética: incentivos entre 15 % e 100 % para projetos de baixo carbono, renováveis, eficiência energética.
- Economia Circular: apoio a projetos de reciclagem, eco‑design, reutilização, com financiamento a fundo perdido e elegível em várias regiões.
- SIID – Investigação e Desenvolvimento: até 85 % a fundo perdido para I&D empresarial, incluindo pessoal qualificado, patentes e tecnologia.
3. Benefícios Fiscais
Além dos apoios diretos, existem regalias fiscais que beneficiam empresas com investimentos estruturantes:
- SIFIDE: possibilidade de dedução fiscal ao IRC das despesas efetuadas em I&D.
- RFAI: O Regime Fiscal de Apoio ao Investimento, permite uma dedução no IRC de parte do investimento efectuado em ativos tangíveis e intangíveis.
- CFEI II: Crédito Fiscal Extraordinário ao Investimento II — dedução no IRC para ativos relacionados com a actividade operacional/ exploração da empresa.
- Zona Franca da Madeira: empresas licenciadas podem ter IRC reduzido para 5 % sobre lucro tributável (com condições) e isenção de imposto de selo, imposto municipal, etc. — desde que cumpram requisitos de criação de postos de trabalho e investimento
4. Outros Incentivos Setoriais/Nacionais
– Investimento Produtivo AICEP
- Para grandes projetos com impacto significativo (I&D, exportação, emprego qualificado).
- Para despesa elegível > 25 milhões €, ou entre 15 e 25 milhões com determinadas condições (criação de postos de trabalho, intensidade exportadora, etc.).
- Podem ser elegíveis despesas com CAPEX corpóreo/incorpóreo, salários por até 2 anos.
- Apoio não reembolsável: 20 % a 30 % dependendo da tipologia (novo estabelecimento, diversificação, etc.).
– Incentivos à contratação de RH altamente qualificados
- Na região do Algarve, Matosinhos, e brevemente no Centro, Norte e Lisboa.
- Apoio salarial de 50 % (salário base mais encargos e seguro) por até 36 meses; em Lisboa AML cerca de 40 %.
– Inovação Produtiva, Qualificação, Internacionalização
Apoios de até 40 % a fundo perdido, combinados com empréstimos (taxa 0 %) para estes projetos com duração de 24 meses e com requisitos CAE ou exportação mínima (15 %).
– Apoio ao Emprego e Microempreendedorismo
- Até 85 % a fundo perdido para criação de emprego.
- Descarbonização Empresarial: até 100 % a fundo perdido para eficiência energética.
- Economia Circular: até 50 % a fundo perdido para práticas de economia circular
- Sistema de Incentivos Fiscais à I&D: benefícios fiscais via dedução à coleta IRC por despesas em I&D
5. Qualificação das Entidades Gestoras
- IAPMEI: gerencia grande parte dos sistemas de incentivo para PME, inovação, internacionalização.
- AICEP: gere incentivos para investimento produtivo e exportação, especialmente de projetos de grande escala.
- ANI (Agência Nacional de Inovação): apoia inovação tecnológica e cooperação entre empresa e sistema científico.
6. Empresas Elegíveis
|
Tipo de Incentivo |
Elegibilidade típica |
|
Sistemas de Incentivo (SI, SICE etc.) |
PME (na generalidade), e algumas não‑PME para certos programas |
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Grandes Projetos (AICEP) |
Empresas com investimento > 15–25 M€ e grande impacto |
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Benefícios Fiscais (SIFIDE, RFAI, Zona Franca) |
Empresas com despesa em I&D, investimento em ativos, ou localizadas na ZFM, respetivamente |
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Apoios regionais/setoriais |
Empresas em regiões específicas (Algarve, Lisboa, Norte) ou CAE específicos, indústria, turismo, economia circular |
7. Notas finais
Portugal apresenta um ecossistema robusto de incentivos financeiros — desde subsídios diretos (a fundo perdido ou reembolsável), até benefícios fiscais — concebidos para impulsionar a inovação, internacionalização, descarbonização, digitalização e criação de emprego. A maioria se direcciona às PME, mas também existem mecanismos destinados a grandes investimentos estratégicos com impacto económico nacional.
Para obter estes apoios, as empresas devem:
- Verificar elegibilidade (tipo de empresa, setor/CAE, dimensão, impacto, localização);
- Acompanhar os concursos abertos nas plataformas de IAPMEI, AICEP e entidades regionais;
- Preparar candidaturas sólidas e dentro dos prazos e requisitos definidos.