Qualquer sociedade deve ter uma Governance efetiva. A implementação de um modelo de Governance inclui:
- Diagnóstico
- Estrutura e organograma
- Processos (negócio, operações, riscos e desafios)
- Documentação: Normativos estatutários críticos/relevantes
- Benefícios da Governance
Fase 1) Diagnóstico
Objetivo: entender práticas atuais, identificar lacunas, clarificar visão e prioridades.
Ações:
- Realizar entrevistas com os sócios, direção e chefias intermédias;
- Mapear processos chave (financeiros, comerciais, RH, operações, etc.);
- Identificar e avaliar riscos (financeiros, operacionais, sucessão, etc.);
- Inventariar normativos existentes (estatutos, regulamentos, políticas, etc.);
- Identificar conflitos comuns na empresa (autoridade, sucessão, decisões informais, acumulação de funções);
- Avaliar a maturidade (escala) de governance.
Fase 2) Estrutura e Organograma
Objetivo: clarificar papéis, responsabilidades e órgãos de decisão.
Ações:
- Definir órgãos de governance (Conselho de Sócios / Conselho de Administração / Comissão Executiva, etc.);
- Distinguir papéis da família vs. gestão profissional – (“Protocolo Familiar)”;
- Criar organograma formal, descritivos de funções e limites de autoridade;
- Criar regras de sucessão e de entrada/saída de familiares na gestão;
- Definir e aprovar Organograma, Matriz de responsabilidades e Regulamento dos órgãos sociais
Organograma “Simple & Best Practice”
Nível Estratégico (Acionistas/Família)
- Assembleia de Sócios
- Conselho de Administração (pode incluir membros independentes)
Nível Executivo
- Diretor Geral / CEO
- Diretor Financeiro & Administrativo
- Diretor de Operações
- Diretor Comercial & Marketing
- Diretor de Recursos Humanos (pode ser part-time ou externo)
Nível Operacional
- Supervisores / Coordenadores por área
- Equipas operacionais
Fase 3) Processos
Objetivo: dotar a empresa de regras claras, simples e documentadas.
Ações:
- Identificar principais riscos e desafios
- Identificar processos críticos
- Desenhar matriz de risco
- Identificar atividades de controlo
- Inventariar KPI’s operacionais, financeiros, comerciais, qualitativos
Processos básicos + Sistema de controlo interno + Monitorização
Documentar procedimentos/fluxos para tomada de decisão, comunicação interna e gestão financeira. Os processos mais pequenos permitem maior rapidez de execução, maior fluxo de trabalho, melhor controlo e motivação pelo êxito.
A separação de funções permite melhor controlo e interação entre colaboradores e/ou departamentos (ex.: quem aprova pagamentos não deve ser o mesmo que os executa), diminuindo eventuais riscos de fraude ou falhas.
- Redigir normativos críticos (ver lista mais abaixo).
- Criar dashboard de reporting mensal para sócios/gestão.
- Definir sistema de controlo interno (ex.: segregação mínima de funções, validações, auditoria interna leve).
- Implementar manual de procedimentos chaves
- Definir e aprovar Políticas (Financeira, Comercial, etc.);
- Definir Código de Conduta
- Desenhar, divulgar e aprovar Manual de Controlo Interno
- Definir Política de Gestão de Riscos
A monitorização e melhoria continua, permite acompanhar as operações de forma mais efetiva. Para tal devem ser implementadas as seguintes atividades:
- Reuniões trimestrais para revisão de riscos, indicadores e projetos.
- Efetuar a avaliação anual da eficácia da governance;
- Promover a atualização contínua dos procedimentos;
- Formalizar a monitorização (Relatórios trimestrais, Plano anual de melhoria e Revisão dos normativos).
Fase 4) Documentação – Normativos Estatutários e Políticas Críticas
Apresenta-se abaixo, uma lista de normativos essenciais (mínimo recomendado):
- Regulamento do Conselho de Administração / Sócios
- Documento de Regras da Família (Family Charter)
- Código de Conduta e Ética
- Política de Conflitos de Interesse
- Política Financeira e de Investimentos
- Política Comercial (inclui preços, descontos, prazos, créditos)
- Política de RH (recrutamento, avaliação, progressão, disciplina)
- Política de Segurança e Proteção de Dados
- Manual de Controlo Interno
- Política de Gestão de Riscos
Normativos Complementares:
- Política de comunicação interna e externa
- Política de compliance legal e fiscal
- Regulamento de contratação de familiares
- Plano de sucessão
- Regulamento de reporting interno
Benefícios da Governance
Um modelo de Governance efectivo, traz ganhos reais:
- Decisões mais rápidas e confiáveis;
- Funcionamento mais eficiente;
- Auditorias mais simples e menos penosas;
- Redução de riscos financeiros, fiscais, operacionais, comerciais, legais e reputacionais;
- Valorização da empresa perante investidores e parceiros.
Empresas que investem na combinação certa de estrutura organizacional e normativos, não apenas sobrevivem, mas crescem de forma sólida e previsível.
Estudos recentes (Jerab 2023; Danilov 2024; Meidawati 2025) mostram que estruturas bem definidas e governança eficaz contribuem diretamente para o desempenho sustentável.