ESG na Prática: Como Responder a Exigências de Mercado

Nos últimos meses, o debate em torno do ESG tem sido fortemente influenciado pela evolução do enquadramento regulatório europeu, em particular pela redução do número de empresas abrangidas pela CSRD.

Para muitas empresas, isso levanta uma questão natural: se já não estão sujeitas a obrigações formais de reporte, continuam a ter de se preocupar com ESG?

A resposta é simples. O ESG continua presente, mas hoje surge em contextos diferentes.

Em vez de ser impulsionado sobretudo por obrigações regulatórias, passa a aparecer como resposta a exigências concretas de mercado. Instituições financeiras, investidores e clientes continuam a solicitar informação ESG, ainda que, por vezes, de forma menos estruturada e mais pragmática.

O desafio deixou, em muitos casos, de ser cumprir uma norma. Passou a ser conseguir organizar informação e responder de forma consistente sempre que necessário.

 

Onde surgem as exigências ESG, fora do contexto regulatório

De forma simplificada, estas situações podem a agrupar-se em quatro contextos principais:

 

4 situações em que as empresas são chamadas a responder a temas ESG e como devem fazê-lo de forma proporcional e util

 

  1. Financiamento

Em processos de financiamento, incluindo instrumentos com enquadramento BPF, é comum serem solicitados elementos ESG básicos.

Entre os pedidos mais frequentes está o cumprimento do princípio de DNSH (Do No Significant Harm), que consiste em demonstrar que a atividade não causa prejuízo significativo aos objetivos ambientais, como clima, recursos, poluição ou biodiversidade.

Para além disso, podem ser solicitados indicadores ambientais simples, bem como informação essencial de natureza social e de governação.

O que está em causa não é o cumprimento de um sistema completo de reporte, mas a capacidade de apresentar uma base mínima, clara e organizada.

 

  1. Investidores (venture capital e private equity)

Também do lado dos investidores se verifica uma integração crescente de temas ESG.

Na prática, isso traduz-se em pedidos relativamente objetivos. Métricas básicas, algumas políticas internas e evidência de que a empresa acompanha riscos relevantes.

Mais do que profundidade técnica, o que tende a ser valorizado é a consistência e a credibilidade da informação apresentada.

 

  1. Clientes e parceiros

Ao longo da cadeia de valor, o ESG surge cada vez mais como parte das relações comerciais.

Questionários, códigos de conduta e pedidos de informação tornam-se frequentes, exigindo capacidade de resposta num curto espaço de tempo, incluindo, em alguns casos, pedidos de avaliação através de plataformas como EcoVadis.

O principal desafio, neste caso, não é a complexidade técnica, mas a dispersão da informação.

Muitas vezes, trata-se de responder várias vezes ao mesmo tipo de pedido, sem uma base estruturada que permita reutilizar o trabalho já feito.

 

  1. Estrutura interna

Independentemente de pressões externas, muitas empresas estão a começar a estruturar internamente alguns temas ESG.

Identificar riscos relevantes, acompanhar um conjunto reduzido de indicadores e estabelecer práticas mínimas de governação permite não só responder melhor a pedidos externos, mas também reduzir trabalho redundante.

Esta organização interna acaba por funcionar como base para tudo o resto.

 

Estruturar para responder

Neste contexto, não faz sentido replicar modelos complexos pensados para empresas sujeitas a reporting regulado.

O que funciona melhor é uma abordagem proporcional, assente em princípios simples:

  • foco no que é material,
  • orientação à utilização prática, e
  • capacidade de reutilização em diferentes contextos

Referenciais como o VSME podem servir como orientação para estruturar informação de forma consistente, mas sem necessidade de formalizar processos ou criar estruturas demasiado pesadas.

Na prática, o desafio está em conseguir organizar o essencial. Ter uma base mínima que permita responder a pedidos distintos, de forma consistente e sem recomeçar do zero a cada nova solicitação.

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