Orçamento do Estado 2026 – Principais Alterações Fiscais

O Orçamento do Estado para 2026 traz alterações fiscais com impacto direto na competitividade e nas decisões de gestão. Este artigo resume as principais medidas e as oportunidades que delas decorrem para as empresas. Estas propostas, desenhadas a nível nacional, poderão ser ajustadas a nível regional, podendo ter impacto nos comentários abaixo.

 

1)  IRS – Alterações ao rendimento disponível e impactos na habitação

 

Habitação e rendimentos prediais

  • A dedução com despesas de arrendamento aumenta para 900 € em 2026 e 1.000 € em 2027, mantendo-se majorações para rendimentos até 30.000 € e incentivos à fixação no interior.
  • O regime de reinvestimento é alargado, permitindo excluir tributação de mais-valias quando o produto da venda é reinvestido em imóveis destinados a rendas moderadas (até 2.300 €).
  • A taxa especial sobre rendimentos prediais baixa de 25% para 10% para senhorios com rendas moderadas.

 

Escalões, rendimento do trabalho e isenções

  • Atualização dos escalões em 3,5%.
  • Redução de 0,3 p.p. nas taxas do 2.º ao 5.º escalão.
  • O Mínimo de Existência passa a corresponder ao maior entre o valor legal e 14× o Salário Mínimo Nacional, afastando trabalhadores no SMN da tributação.
  • Mantém-se a isenção para prémios/gratificações até 6% da retribuição base anual.

 

2) Segurança Social – Reforço da proteção social e combate à evasão

 

As medidas da Segurança Social para 2026 mantêm-se uniformes a nível nacional.

 

Principais alterações

  • Atualização do Complemento Solidário para Idosos para 670 €.
  • Publicação da lista de devedores à Segurança Social, reforçando transparência e cumprimento.
  • Expansão da partilha eletrónica de dados entre AT, IRN e BdP, aumentando rigor e eficiência.
  • Jovens com menos de 30 anos mantêm a possibilidade de acumular parte do subsídio de desemprego com salário na entrada no mercado de trabalho.

 

3) IVA – Grupos de IVA, habitação e modernização digital

 

Regime de Grupos de IVA: Entra em vigor um regime que permite a compensação de saldos entre empresas do mesmo grupo societário, reduzindo custos financeiros e melhorando a gestão de tesouraria.

Habitação: Taxa reduzida de 6% aplica-se à construção de habitação até 648.000 € e ao arrendamento até 2.300 €, regime previsto até 2029.

Digitalização: Equiparação das faturas em PDF às faturas eletrónicas prorrogada até 31 de dezembro de 2026.

 

 

4) IMT – Atualização dos escalões e incentivo aos jovens

 

  • Atualização de 2% dos escalões.
  • Jovens até 35 anos continuam a beneficiar de isenção até 330.539 € para aquisição de habitação própria e permanente.

 

5) Imposto do Selo – Garantias e crédito à habitação

 

  • Nova isenção para garantias prestadas ao Estado em processos de recuperação de créditos e bens públicos.
  • Fim das isenções para renegociação de crédito à habitação com prazos ≥ 5 anos — regressam ao regime geral.

 

 

6) Benefícios Fiscais – Evolução entre 2025 e 2026

 

2025

2026

Reduções moderadas em rendimentos prediais acessíveis.

Incentivo à valorização salarial com majorações até 150–200%.

Regimes consolidados: donativos, parcerias sociais, florestas, reabilitação urbana.

Rendimentos prediais de pessoas coletivas: isenção de 50% em IRC para rendas moderadas.

Organismos de investimento coletivo focados em arrendamento acessível passam a pagar 5% sobre distribuições.

Incentivo à valorização salarial reforça majoração de 200% para aumentos superiores a 4,6%.

 

 

7) Incentivos à Contratação – Estágios “L” e outras medidas para jovens

 

Estágios “L”

  • Níveis 5 a 8 do QNQ.
  • Comparticipações públicas entre 80% e 95%.
  • Majorações quando:
    • há contratação sem termo,
    • o candidato tem até 35 anos,
    • há desemprego de longa duração,
    • há deficiência.

 

Outros programas relevantes para 2026

 

ATIVAR.PT – estágios de entrada no mercado de trabalho.

  • Compromisso Emprego Sustentável – apoios diretos à contratação sem termo.
  • Apoios à contratação de jovens qualificados – financiamento por posto de trabalho.
  • Incentivos à contratação inclusiva – trabalhadores em risco de exclusão.

 

Impacto para as empresas

  • Redução direta de custos salariais.
  • Possibilidade de majorações adicionais por contratação.
  • Apoio à retenção em fases iniciais.
  • Melhoria de indicadores ESG relativos a políticas de emprego.

 

 

8) Benefícios fiscais que as empresas podem estar a perder

 

Incentivo à Valorização Salarial (200%) RFAI – Regime Fiscal de Apoio ao Investimento SIFIDE II – Incentivo Fiscal à I&D Benefícios Florestais e Gestão Ativa Incentivos à Contratação (L, ATIVAR.PT, Emprego Sustentável)
Arrendamento Acessível – Pessoas Coletivas DLRR – Dedução por Lucros Retidos e Reinvestidos Parcerias Sociais Incentivos à Eficiência Energética e Ambiente Benefícios para PME inovadoras e start-ups