ESG, Carbono e Gestão do Risco: O que está a mudar para os concessionários automóveis?

ESG, Carbono e Gestão do Risco
O que está a mudar para os concessionários automóveis?

 

A sustentabilidade deixou de ser encarada apenas como um tema de responsabilidade social ou de comunicação institucional. Para os concessionários automóveis, começa cada vez mais a assumir uma dimensão estratégica, influenciando a gestão do risco, a eficiência operacional, a relação com fabricantes e financiadores e a competitividade do negócio.

 

Embora, em Portugal, apenas algumas organizações estejam atualmente abrangidas por obrigações diretas de relato de sustentabilidade, o enquadramento europeu tem vindo a evoluir significativamente. A adoção da Diretiva CSRD, das Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade (ESRS) e o desenvolvimento de referenciais voluntários, como a VSME para PME, refletem uma tendência de crescente transparência e disponibilização de informação ESG ao mercado. Paralelamente, fabricantes, financiadores e grandes clientes tendem a repercutir estas exigências ao longo da cadeia de valor.

 

Neste contexto, mais do que antecipar futuras obrigações regulamentares, importa compreender de que forma estas tendências poderão influenciar a gestão e o desenvolvimento do negócio.

 

O que está a pressionar o setor?

Vários fatores estão a contribuir para uma crescente integração das questões ESG na atividade dos concessionários automóveis.

 

Entre eles destacam-se:

  • crescente exigência de informação ESG por parte de fabricantes e redes de distribuição;
  • maior atenção dos financiadores à gestão dos riscos ambientais e climáticos;
  • evolução das expectativas dos clientes relativamente à sustentabilidade e transparência;
  • aceleração da mobilidade elétrica e consequente transformação dos modelos de negócio;
  • evolução do enquadramento europeu em matéria de sustentabilidade.

 

Estas pressões não afetam todas as organizações da mesma forma, mas apontam claramente para uma maior integração da sustentabilidade na gestão do setor.

 

Dos desafios às possíveis respostas

As tendências anteriores traduzem-se em desafios concretos para muitas organizações. Algumas das respostas que começam a ganhar relevância incluem:

 

 

Naturalmente, nem todas estas respostas serão prioritárias para todas as organizações. O contexto, a dimensão e o modelo de negócio continuam a ser fatores determinantes.

 

Carbono: um instrumento de gestão

Quando se fala de carbono, é frequente associar o tema exclusivamente ao cumprimento de requisitos regulamentares.

Na prática, conhecer a pegada carbónica pode também constituir uma ferramenta de gestão, permitindo compreender melhor os consumos energéticos, identificar oportunidades de redução de custos, apoiar decisões de investimento, acompanhar objetivos de eficiência operacional e responder a solicitações de fabricantes, clientes ou financiadores.

Nesta perspetiva, o carbono deixa de ser apenas um indicador de reporte e passa a constituir um instrumento de apoio à gestão e à tomada de decisão.

 

Risco climático: um risco de negócio

As alterações climáticas podem traduzir-se em impactos muito concretos para os concessionários automóveis.

Entre os exemplos mais frequentes encontram-se:

  • exposição de instalações e parques de viaturas a fenómenos meteorológicos extremos;
  • transformação gradual do mercado automóvel em consequência da eletrificação;
  • impacto potencial no negócio de assistência e pós-venda;
  • volatilidade dos custos energéticos;
  • crescente necessidade de responder a pedidos de informação ESG provenientes de fabricantes, financiadores e outras partes interessadas.

 

Integrar estes aspetos na gestão do risco permite apoiar decisões mais informadas e reforçar a resiliência da organização.

 

Preparar hoje o negócio de amanhã

Independentemente da dimensão da organização ou do grau de maturidade existente, compreender os principais riscos, oportunidades e prioridades constitui um passo importante para apoiar decisões mais informadas, reforçar a competitividade e preparar o negócio para um contexto em rápida evolução.